Cresci a ver a Seleção oscilar entre frustrações e momentos épicos, e chego a este Mundial 2026 com aquela sensação rara: nós não vamos só “participar”, vamos mesmo para tentar ganhar tudo.
De 1966 a 2022: peso de uma história incompleta
A narrativa começa sempre em 1966, com Eusébio e o terceiro lugar em Inglaterra, o torneio que ainda hoje os mais velhos mencionam como o “padrão ouro” da nossa Seleção. Depois vieram décadas de ausências e desilusões, até a geração de Figo, Rui Costa e companhia nos pôr de volta no mapa e abrir a porta às presenças consecutivas desde 2002. Mesmo com meias-finais em 2006 e quartos em 2022, fica sempre a sensação de missão inacabada: muito talento, muita promessa, mas o Mundial continua a escapar.
Seleção mais solta e mais temida
A chegada do Roberto Martínez trouxe uma Seleção muito menos amarrada ao “não sofrer golos” e muito mais focada em dominar o jogo com bola. Vê-se claramente a ideia de posse, paciência e depois aceleração pelos corredores, sobretudo pela esquerda, a tentar pôr jogadores como Rafael Leão em situações de um‑para‑um. Ao mesmo tempo, a equipa aprendeu a alternar entre sistemas (4‑3‑3, 3‑4‑3) sem perder identidade, algo que não era habitual em ciclos anteriores.
Os resultados até agora reforçam a confiança: título da Nations League 2024/25 e um apuramento para o Mundial com muitos golos marcados e respeito generalizado dos outros “tubarões”.
O caminho até à América do Norte
Na qualificação europeia, nós mostramos precisamente essa nova cara: equipa ofensiva, capaz de golear, mas também de reagir quando as coisas correm mal. O tal desaire fora com a República da Irlanda funcionou mais como alerta do que como drama, porque a resposta foi uma vitória larga frente à Arménia que voltou a mostrar a força do coletivo, mesmo sem Ronaldo.
Chegar ao Mundial sabendo que a vaga foi carimbada sem depender de contas mirabolantes na última jornada dá um conforto diferente.
Craques, lesões e a eterna questão Ronaldo
O plantel de 2026 parece daqueles que, em qualquer geração anterior, chamaríamos “irrepetível”: Bruno Fernandes em pico de forma, Vitinha a mandar no ritmo, Rúben Dias a comandar lá atrás, Leão a partir defesas em transição. Depois há o elefante na sala: Cristiano Ronaldo aos 41 anos, ainda capitão, ainda referência, mas agora com a gestão física e as lesões (como a mais recente no tendão) a pairarem sobre cada convocatória.
Já não vemos a Seleção “dependente” dele como noutros tempos, mas é impossível ignorar o peso que continua a ter, nem que seja na forma como arrasta marcações e concentra atenções.
Grupo K: calor, armadilhas e ambição
O sorteio meteu-nos no Grupo K com Colômbia, Uzbequistão e ainda o vencedor de um play‑off intercontinental (Jamaica, RD Congo ou Nova Caledónia). À primeira vista, parece grupo acessível, mas é precisamente aí que mora o perigo:
- Colômbia é sempre competitiva, intensa, com jogadores habituados a grandes palcos.
- Uzbequistão chega sem pressão, com organização defensiva e o entusiasmo de um debutante.
- O vencedor do play‑off traz o fator surpresa típico das seleções de fora do radar europeu.
Junta‑se a isto o calor húmido de cidades como Houston e Miami em junho, que pode complicar o plano para uma equipa que gosta de pressionar alto e ter bola.No fim, o cenário é claro: obrigação de passar o grupo, fortes argumentos para ir longe e, pela primeira vez, aquela sensação honesta de que o título não é fantasia completa, é um objetivo plausível se tudo se alinhar. Para quem vai seguir de perto, como eu, há opções como inserir o código promocional Betano em plataformas de apostas para tornar a experiência do Mundial ainda mais imersiva.